Conheça o diabo-negro, o exótico peixe das profundezas oceânicas
Segundo dados do portal Pescaria S/A, essa espécie abissal possui estratégias curiosas de sobrevivência e caça em ambientes de extrema escuridão.
Por Redação Pescaverso · 02/10/2026 · 2 min de leitura

O oceano esconde criaturas intrigantes que desafiam os limites da sobrevivência. Entre elas está o diabo-negro (Melanocetus johnsonii), um peixe abissal que habita regiões de escuridão total. De acordo com informações do portal Pescaria S/A, essa espécie da família Melanocetidae vive em profundidades que vão de 100 a 4.500 metros, sendo mais comum entre 100 e 1.500 metros de profundidade em águas tropicais e temperadas pelo mundo.
A anatomia desse animal chama a atenção pelo extremo dimorfismo sexual. Enquanto as fêmeas conseguem atingir até 18 centímetros de comprimento, os machos são muito menores, raramente ultrapassando a marca de 2,9 centímetros. Para se locomover melhor reduzindo o atrito com a água, o peixe conta com uma pele coberta por pequenas espínulas e escamas em formato cônico.
Atração luminosa e dentes afiados
Para conseguir se alimentar na escuridão profunda, o diabo-negro utiliza uma tática de caça muito específica. Ele possui uma espinha dorsal modificada na cabeça, chamada de ilício. Na ponta dessa estrutura fica a esca, um órgão luminoso que brilha por bioluminescência. Essa luz atrai presas curiosas que, ao se aproximarem do brilho, acabam sugadas rapidamente pela boca expansível do predador.
Esse peixe é um caçador oportunista que se alimenta de outros peixes e crustáceos. Conforme relata a Pescaria S/A, a capacidade estomacal do diabo-negro é impressionante: um exemplar de apenas 6,6 centímetros foi registrado com um peixe do gênero Chauliodus de 24 centímetros dentro de seu estômago. Seus dentes afiados garantem que as presas não consigam escapar após a captura.
Ciclo de vida e reprodução nas alturas
Diferente de outros peixes-pescadores aparentados, os machos do diabo-negro são anões, mas não vivem como parasitas presos ao corpo das fêmeas. A reprodução ocorre de forma ovípara, com a fêmea liberando os ovos para que o macho faça a fertilização externa. As larvas sobem para as camadas superiores do oceano, por volta dos 100 metros de profundidade, onde encontram mais alimento, e descem para as profundezas conforme vão crescendo.
Atualmente, a espécie está classificada como "Pouco Preocupante" na Lista Vermelha da IUCN, pois vive longe do alcance da pesca comercial. No entanto, a Pescaria S/A alerta que futuras atividades humanas, como a mineração em águas profundas e a pesca de arrasto, podem vir a ameaçar o habitat desse exótico predador marinho no futuro.
Fontes
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