Cientistas usam inteligência artificial para rastrear peixe-elétrico em águas turvas
Pesquisa com participação da USP abre caminho para entender como os peixes se movem e se comunicam na escuridão de rios e lagos.
Por Redação Pescaverso · 30/09/2026 · São Carlos/SP · 1 min de leitura

Cientistas da USP de São Carlos, em parceria com pesquisadores da Alemanha e da Espanha, desenvolveram um sistema de inteligência artificial capaz de rastrear em três dimensões o peixe-elétrico-listrado (Gymnotus carapo). De acordo com o Terra da Gente (g1), o estudo publicado em 2026 utiliza as próprias descargas elétricas do peixe para mapear seus movimentos, o que promete ajudar a compreender o comportamento das espécies em águas escuras e turvas.
No experimento, os pesquisadores colocaram o peixe em um aquário equipado com oito eletrodos e três câmeras para registrar os movimentos de diferentes ângulos. Um algoritmo de aprendizado profundo identificou pontos específicos do corpo do animal, como a cabeça, o meio e a cauda, combinando as imagens para recriar sua trajetória exata com uma precisão de aproximadamente 0,8 milímetro.
Tecnologia para águas turvas
O grande objetivo para o futuro é conseguir rastrear o peixe dispensando totalmente o uso de câmeras, dependendo apenas dos sinais elétricos que ele emite. Essa tecnologia será fundamental para estudar a vida aquática na escuridão completa ou em águas profundas e barrentas, onde as filmagens tradicionais não funcionam e a luz artificial pode atrapalhar o comportamento natural das espécies.
Além de ajudar a compreender a biologia e a comunicação dos peixes que usam a eletrolocalização para caçar e se orientar, a descoberta pode ter aplicações práticas fora da água. Os cientistas apontam que os mesmos princípios podem servir de inspiração para criar sistemas de navegação mais eficientes para veículos subaquáticos autônomos.
Fontes
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